terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

FAREC - Serviço Social - 2011 - Primeiro Semestre


Alunos do 3o período de Serviço Social da FAREC podem acessar o link abaixo e fazer o download dos materiais didáticos usados na disciplina "Seminários do Exercício Profissional":


LINK ALTERADO PARA PERMITIR ACESSO UNIVERSAL.
PESSOAL, FIZ A MUDANÇA E JÁ DEIXEI OS SLIDES DA PRÓXIMA AULA. QUANDO CLICAREM NO LINK, VOCÊS IRÃO PARA O GOOGLE DOCS. PARA ACESSAR É PRECISO UM CADASTRO RÁPIDO. QUEM JÁ USA O GMAIL, NÃO PRECISA SE CADASTRAR, É SÓ DAR O LOGIN E SENHA, OK? BOA SORTE!


https://docs.google.com/leaf?id=0Byx1PUdMs_8wMjQ1YzMyYzEtMmFkNS00Y2Q4LWEzMzktZTQ5ZjNhNjU2NjU5&hl=en

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CENTRO ESPÍRITA É OUTRA COISA...

Acácio Carvalho
Julho de 1999



“A jovem desesperada já não sabe mais a quem recorrer... No consultório médico, por falta de uma visão integral, foi entupida de anti-depressivos, escutando as afirmações do psiquiatra: ‘a substância vai agir nos neurotransmissores’... Ora, logo ela, que nunca ouviu falar em, em... neuro-o-quê mesmo? Um psicólogo, sem levar em consideração as componentes espirituais,  recomendou uma viagem interior, em busca do auto-conhecimento, relaxante e contemplativa... Numa determinada igreja, que baseava a sua fé unicamente em dogmas, entoou hinos e rezou pela expulsão do ‘demônio’ que a dominava... Até que, enfim, surge a solução!! o tratamento espiritual, num centro ‘bom’ danado, com espíritos ‘fortes’. A jovem, que passou meses em depressão, pensando até mesmo em suicídio, tentando todas as terapias possíveis, ortodoxas e heterodoxas e só ouvira falar em espiritismo de passagem, achou esquisito, mas não teve dúvidas: aceitou a sugestão de pronto. E lá se foi a nossa personagem na busca do tal ‘centro espírita’. Chegou numa noite de sexta-feira e começou a analisar o ambiente: moças e rapazes vestidos de branco, imagens de santos e orixás, muitas plantas, batuques cadenciados e cânticos inebriantes... animais mortos em sacrifício e uma mãe-de-santo que fumava um charuto enorme, dizia palavras ininteligíveis e sorvia goles de cachaça, sem falar na ‘conta’... salgada... A solução para os seus problemas estaria ali?”



A
 trajetória de nossa personagem fictícia mostra a luta cotidiana de milhares de pessoas desesperançosas, em todo o mundo. São desempregados, doentes desenganados, amantes frustrados, pessoas que não encontram respostas para os seus anseios interiores, viciados de toda ordem. Procuram todas as soluções possíveis, mas só encontram desilusões. Mostra também a desinformação da sociedade em relação ao conceito correto do que seja o espiritismo e um centro espírita. As pessoas pensam que basta falar em “espírito”, que lá temos representantes da Doutrina codificada pelo Prof. Allan Kardec, na França, no século passado. Até mesmo a revista Veja, uma das cinco maiores revistas de informação semanal em todo o mundo, comete equívocos dessa natureza. Em recente reportagem sobre um pai-de-santo que atuava em Cuiabá, usando cadáveres e ossadas humanas em seus rituais macabros, a Veja fala que as sessões eram praticadas em um “centro espírita”. Não fosse a mobilização de dezenas de leitores da revista, exigindo uma reparação ao fato informativo, o espiritismo estaria associado a rituais satânicos, para mais de um milhão de leitores.

Centro espírita é o local onde se estuda a doutrina codificada por Kardec. Sem dogmas, sem adereços, sem rituais, sem roupas de cor especial ou qualquer espécie de pagamento. O espiritismo tem por finalidade levar o homem à sua auto-iluminação, apontando a sua destinação divina, reconhecendo-o como parte da criação universal. O espiritismo é a ciência que estuda as relações entre o mundo espiritual e o mundo material, e as conseqüências éticas dessa relação. Tem por princípios fundamentais:

·         A existência de Deus: causa primária de todas as coisas, inteligência suprema;
·         A imortalidade da alma: mostrando-nos que o homem é um ser imortal, que a morte é apenas uma passagem para a verdadeira vida, a vida espiritual;
·         A comunicabilidade dos espíritos: pois estes seres continuam sentindo e amando-nos, mesmo em outra dimensão e podem entrar em contato conosco, através da mediunidade ou da transcomunicação instrumental;
·         A evolução: que diz que o homem não pára, evolui sempre, ampliando as suas experiências através da reencarnação, mecanismo lógico de crescimento interior e explicação das desigualdades aparentes do mundo;
·         A lei de amor: exemplificada pelo espírito mais evoluído que conhecemos na Terra: Jesus.
·         A pluralidade dos mundos habitados: afirmando que não existe vida inteligente apenas no planeta Terra, e que este é só um dentre incontáveis outros, mais ou menos evoluídos, no Universo sem fim;


“A jovem, saindo do tal ‘centro’ (que nunca foi espírita, apesar do respeito que devemos ter com todas as crenças), procurou orientação em uma das federações estaduais de espiritismo e descobriu que não existem curas milagrosas. Que não é o espiritismo que ‘salva’, mas sim, cada um de nós, por esforço próprio, estejamos na religião em que estivermos. Encaminhada a um verdadeiro centro espírita e como aceitara os princípios do espiritismo, reconheceu na prece, nas palestras, nas leituras edificantes, no passe e na água fluidificada, o remédio que necessitava. Passou a atender aos necessitados, nos trabalhos voluntários, nas visitas a hospitais... vivenciou a lei de amor ao próximo. Fazia caminhadas e exercícios de respiração, balanceou a alimentação, procurou especialistas nas áreas médica e psicológica e passou por um tratamento completo, holístico, com os mais diversos profissionais, inclusive os espirituais. Enfim, em pouco mais de seis meses, a jovem alcançou a saúde integral, porque descobriu a sua razão de ser e existir. A solução estava dentro de si mesma, foi só encontrá-la ...”

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

EQM: UMA EVIDÊNCIA CIENTÍFICA DA
REALIDADE DO ESPÍRITO

Acácio Carvalho

Novembro de 1998


Subúrbio de Recife: a pacata senhora estava cuidando de seus netos. Pensativa, refletia sobre as dificuldades de sua existência, em contraponto às várias alegrias que tivera ao longo de quase 60 anos de vida... Sorria observando as crianças, quando a dor no peito apareceu. Forte. Insuportável! Acidente cardio-vascular. Gritos, correria, telefones, ambulância, sirenes, hospital. A equipe médica faz de tudo para manter a vida daquela simpática vovó. Os aparelhos descarregam energia elétrica no peito para regularizar os batimentos cardíacos. Tudo em vão. Os monitores mostram linha reta: parada cardio-respiratória, pressão arterial nula, temperatura do corpo baixando, pupilas dilatadas, sinais de morte  - Perdemos a paciente - diz o médico, retirando a máscara. Os auxiliares tratam de desligar os aparelhos. Enquanto isso, a vovó assiste a tudo, flutuando sobre a mesa da unidade cardiológica. Tenta dizer ao médico que ela está viva, mas o doutor não a escuta. Sente-se bem, feliz, leve, como há muito tempo não acontecia. Olha para o corpo inerte na mesa e pensa: - como posso ser eu, como posso estar morta, se eu estou aqui, plenamente consciente de tudo o que acontece?

Está ocorrendo mais uma das experiências de quase-morte - conhecidas por EQM’s -, dentre os milhares de casos relatados pela ciência médica nos últimos 30 anos. Em 1975, um médico norte-americano, Raymond Moody Jr., Ph.D., trouxe ao conhecimento do grande público, uma coletânea de relatos similares a este, através de sua obra “Vida depois da Vida”, que teria ainda duas continuações, dado o sucesso alcançado. A partir daí, mais e mais pesquisadores sérios buscaram explicações para o fenômeno, publicando vários estudos em revistas especializadas. As visões seriam fruto de reações químicas no cérebro? Seriam resultado de drogas ou anestésicos? Seriam alucinações ou sonhos? Ou estaríamos próximos de comprovar a realidade do espírito? A prova que as religiões de todas as épocas buscam para mostrar que após a morte, uma parte essencial do homem sobrevive: o seu intelecto, as suas emoções, a sua alma, a parte espiritual.

Segundo os estudos, as experiências de quase-morte têm características similares, independente da formação cultural, intelectual ou da situação econômica dos pacientes. Independem até mesmo da idade, pois há casos específicos de ocorrência com crianças. Iniciam sempre com acidentes cardio-vasculares, afogamentos, choques elétricos, complicações anestésicas em cirurgias, atropelamentos, etc. Os pacientes trazem todos os sintomas de morte clínica. Ao mesmo tempo em que médicos, familiares e amigos, estão fazendo de tudo para socorrer as vítimas, estas flutuam sobre o seu corpo físico, acompanham os acontecimentos e percebem que possuem um outro corpo, diáfano, transparente, e que sua consciência acompanha este novo corpo, de natureza espiritual. Têm uma sensação interior de paz, às vezes ouvem ruídos ou assistem ao desenrolar de suas vidas como um filme rodado em incrível velocidade, de modo a que nenhum fato se perca, até os mais banais. Encontram-se com seus familiares e amigos já falecidos, com imensa alegria. Todos dizem-lhe das tarefas desenvolvidas no mundo espiritual, da necessidade de continuar trabalhando, evoluindo, estudando. Que os laços familiares não se rompem, pelo contrário, se fortalecem, através do amor e do perdão.

Finalmente, a pessoa encontra-se com um ser de luz, que resplandece de amor e compreensão. Esse ser divino, evoluído, mostra os erros e acertos da existência corporal, e a própria pessoa faz o seu auto-julgamento. Nesse momento não importam as facilidades materiais, a riqueza, o poder, as posições sociais, apenas interessa o bem e o conhecimento que existe em cada pessoa, independente de suas crenças religiosas ou filosóficas. A pessoa conscientiza-se que o conhecimento existe para ser compartilhado com o próximo e acima de tudo, praticado. Vê-se diante de um obstáculo, um muro, uma parede, uma ponte, e sabe que a sua hora ainda não é chegada. Sente uma vontade irressistível de voltar ao seu corpo físico e é por ele magneticamente atraído. Para surpresa de todos, a pessoa torna à vida, como por milagre!

Há relatos de EQM’s que duram mais de 10 minutos, quando sabemos que apenas 3 minutos sem oxigenação cerebral deixam graves seqüelas neurológicas. Os médicos não sabem como reagir, mas os casos multiplicam-se. Uma pesquisa do Instituto Gallup mostra que nos Estados Unidos mais de 8 milhões de pessoas já passaram por uma EQM. Nenhuma explicação fisiológica, psicológica, neurológica ou farmacológica atende à totalidade dos casos. Finalmente a ciência está trazendo evidências para solucionar as principais questões da razão de ser da Humanidade: O que somos? De onde viemos? Aonde vamos? As respostas estão aí: ingressamos na Era do Espírito...

Cerca de 6 minutos depois que os auxiliares desligaram os aparelhos, a nossa vovó abre desmesuradamente os olhos e instala-se um verdadeiro pandemônio na moderna clínica cardiológica em Recife! Ela não morreu, apesar de todas as provas clínicas mostrarem que sim! O sorriso da vovó indicava que não chegara o seu momento, e deu-lhe a certeza de que a morte não existe, é apenas uma transição. Seus netos ainda irão ouvir as suas histórias. E a vida continua...
ASSISTÊNCIA SOCIAL: UMA QUESTÃO DE ESTADO?

Acácio de Carvalho
Janeiro de 2009, Jaboatão-PE

“Trôpego e cambaleante, o adolescente ia de carro em carro, nos sinais da cidade, mãos estendidas, roto e sujo, descalço, causando pavor e consternação àqueles que retornavam à noite aos seus lares, ameaçados pela miséria do alto de seus 14 anos...”

E
ste é o retrato comum de uma metrópole brasileira, onde a população em situação de rua usa o espaço urbano para conseguir renda, limpando pára-brisas, vendendo bombons ou simplesmente, pedindo. A expectativa de ganho é em torno de R$ 20,00/dia e a situação se agrava no caso do uso de crianças e adolescentes orientados por adultos que os exploram comercialmente.  O risco? Abuso e exploração sexual, trabalho infantil, consumo de substâncias psicoativas, pequenos delitos e talvez... uma vida perdida... A pergunta que a sociedade se faz é como resolver esse quadro pungente, essa ferida aberta de nosso tempo?

O Brasil tem uma das mais modernas legislações do mundo em termos de assistência social. A Constituição Cidadã de 1988 traz, pela primeira vez em quase dois séculos de história constitucional brasileira, a assistência social como direito do cidadão, dever do Estado: “A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social” CF, art. 203. A Lei Orgânica da Assistência (LOAS-1993) e a Política Nacional (PNAS-2004) completam o marco regulatório dessa política pública em nosso país, que é gerida através do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, modelo que estabelece responsabilidades  e dá atribuições aos entes federados e à sociedade civil, de modo a evitar desperdícios e sobreposições de atividades. O clientelismo e o assistencialismo estão com os seus dias contados, à luz desses dispositivos legais. Basta a sua correta aplicação e fiscalização por parte da sociedade e dos órgãos de controle.

É interessante notar que o papel da sociedade civil está claramente expresso no texto da Carta Magna, na execução dos programas de assistência social, de defesa de crianças e adolescentes, de amparo a idosos, de integração ao mercado de trabalho e de inclusão da pessoa com deficiência. Surge a responsabilidade social. Senão vejamos: Pernambuco tem uma das realidades sociais mais difíceis dentre os vários estados da Federação. 43% de sua população vive com menos de R$ 120,00 per capita.mês e é beneficiária do Programa Bolsa Família; um terço dos adultos é analfabeto funcional; o índice de desigualdade social é maior que a média do nordeste e que a média do Brasil, um dos países mais desiguais do mundo.

Não se trata de fatalismo histórico, de combate a “mais valia” de Marx, ou de marcar posição ideológica, o fato é que esta realidade atinge o cidadão, seja pelo senso de humanismo e fraternidade, seja pela violência que grassa às ruas de nossas cidades. O empresário deve acreditar na parceria com o Estado e com o Terceiro Setor para mudar esse quadro. A responsabilidade social hoje é um dever de todos.

O Governo Eduardo Campos vem fazendo a sua parte: Em dois anos, quadruplicou os recursos da assistência social, criou o Programa PE no Batente para retirar as pessoas do Bolsa Família, ampliou o apoio a crianças e adolescentes em situação de rua com o Programa Vida Nova, dentre inúmeras outras ações. Ideias como a criação de um fundo para reforçar programas sociais a partir de investimentos estruturadores implantados no Estado, estão sendo analisadas. Participar não é difícil: procure a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e faça a diferença. Aquele menino dos sinais precisa de você!!
MOVIMENTO ESPÍRITA E CIDADANIA

Acácio Carvalho
Março de 1999

“1825... o homem caminhava lentamente para o cadafalso... a garoa molhava a cidade do Recife, como se a natureza afirmasse o seu estado de tristeza, diante do ato de injustiça que iria ser cometido. Frente ao carrasco, a coragem daquele homem era impressionante. Os seus algozes não estavam presentes, preferiam chafurdar-se nos vícios inebriantes do poder e da sedução. Não houve criatura capaz de levá-lo à corda, pois todos sabiam que ele era um homem bom, justo, quase santo. A pena, então, foi substituída pelo fuzilamento. Seu crime? Sonhar com a liberdade, com a igualdade entre os homens, lutar pela verdadeira independência, pela abolição dos escravos, idealizar um mundo melhor, ser um verdadeiro cidadão...”

A
ssim passou pela Terra, frei Joaquim do Amor Divino Rebelo Caneca, o frei Caneca. Religioso que compreendeu que o seu papel não era apenas de celebrar missas e fazer batizados. E como ele, tantos outros heróis, precursores de novas eras, que anteviam o futuro, liderando os homens de sua época. Frei Caneca levou às últimas conseqüências o seu ideal, um ideal de cidadania. E o que é cidadania, senão a expressão de seus direitos e deveres numa comunidade? A etimologia da palavra vem do grego clássico, onde os cidadãos da pólis reuniam-se na ágora, praça central da cidade-estado, para deliberar coletivamente sobre as ações a serem tomadas. Era o primeiro exemplo de democracia, no longo processo evolutivo percorrido pelas sociedades de nosso planeta rumo aos cimos espirituais, ainda tão almejados hoje. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, fruto do pensamento libertário da Revolução Francesa, foi um passo adiante. A criação da Liga das Nações, posteriormente, Organização das Nações Unidas, consolidou, no horror do pós-guerra, o desejo da Humanidade de ver os seus direitos universais sendo respeitados e defendidos. Ainda hoje, os homens lutam por dignidade, respeito, moradia, trabalho, educação, justiça...

Mas não podemos negar que estas conquistas foram balizadas por exemplos, como o de Frei Caneca, como o de Mahatma Gandhi no campo político, de Martin Luther King, de Joaquim Nabuco, de Zumbi dos Palmares na área de direitos humanos, e muitos outros... Atitudes incompreendidas pelos poderosos da época, mas extremamente afinadas com o pensamento ético cristão. Sim, com o pensamento cristão, pois o que recomendaria o Cristo, ao ver a iniqüidade da escravidão, se ele afirmou que todos somos iguais? Que faria Jesus, diante de um povo subjugado a outro, colonizador e explorador? Recolheria-se em Jerusalém? Ou enfrentaria os césares e os fariseus (como o fez) com a sua coragem? Creio que ainda não compreendemos verdadeiramente o sentido do cristianismo. Notadamente o movimento espírita, que possui, em seu escopo doutrinário, princípios éticos e assertivas de vanguarda, capazes de colaborar para a transformação do mundo!

Ao conhecermos a doutrina espírita, um novo mundo abre-se diante de nós: de repente, obtemos explicações sobre a vida após a morte, compreendemos os mecanismos reencarnatórios, a lei universal de evolução, os fenômenos mediúnicos... Conhecemos o porquê da vida, o que somos, de onde viemos, aonde vamos. Estudamos as nossas tarefas individuais, familiares e coletivas. Ao mergulharmos na interpretação do espiritismo, achamos justificativas para as desigualdades sociais, entendemos a história da humanidade sob uma ótica integrada, interpretamos a economia, a sociologia e verificamos que o papel do espírito é ser um cidadão integral, ativo, atuante no mundo em que vivemos. Revisitamos o sentido do cristianismo, sob uma nova ótica, holística, cósmica. Vemos Jesus como o coordenador-geral de nosso planeta, amparando-nos e inspirando-nos em nossa reforma interior, trazendo à Terra espíritos iluminados para confirmar os caminhos já apontados por ele próprio, há dois milênios... Tratamento espiritual, palestras, livros, seminários... o encantamento com a prática espírita! Encontramos o rumo de nossa felicidade no amor ao próximo! Mas, e depois? O tempo vai passando e agregamo-nos à instituição, ela passa a fazer parte de nós, pela grandeza do espiritismo. Corremos os primeiros riscos, de nos enclausurarmos em nossas casas, vivermos um mundo paralelo, agradável, compensador. Corremos o risco de esquecer que a doutrina é proativa, evolucionista, libertária. Que recomenda a ação social, a mudança do mundo, a participação nos processos  de transformação. Trocamos os fins pelos meios.

A doutrina espírita bem aplicada propicia iluminação de consciências, emancipação do pensamento, redução de angústias, transformação moral e melhoria da sociedade. Mas para isso, precisamos rever o seu processo de atuação, pois o espiritismo precisa ser vivenciado e não apenas teorizado. Acontece que nós não estamos acostumados a pensar; repetir fórmulas prontas é mais fácil. Acomodamo-nos e adotamos uma postura passiva; a maioria de nós apenas assiste palestras e orbita em um mundo limitado, sob o manto de uma falsa religiosidade. Somos apenas uma caricatura daquilo que Kardec projetou. O movimento espírita precisa adotar características de vanguarda, com mecanismos atualizados de divulgação, através de estudos em grupo, vivências grupais com aspectos terapêuticos, internet, televisão, eventos, fóruns, integração social, trabalhos voluntários, parcerias com organizações não-governamentais, etc. Precisamos ir às ruas! Os centros precisam facilitar o processo de auto-conhecimento e construção própria da realidade de seus participantes, criando cidadania, repensando o seu modus operandis.

Definitivamente, precisamos mudar o nosso modo de agir no movimento espírita. Estamos anos atrasados em relação a outras instituições religiosas, que têm uma atuação social muito mais intensa. Os nossos representantes “oficiais” (quem são eles?)  estão calados, mudos, estáticos. Parece até que estamos anestesiados diante do quadro social que enfrentamos, não percebemos que estamos vivendo o momento mais importante de nossa existência espiritual, encarnados na Terra nesta era de transição.

Espírita, onde estás que não te ouço? Vês as crianças abandonadas na Rua do Imperador? Ou os “cheira-cola” dos sinais? Ouves o choro das crianças e adolescentes sexualmente exploradas e dos velhos desamparados? A violência urbana te incomoda? Que fazes contra o desemprego? Pensas que nada tens com isso? Que nada deves fazer? Questionas dialeticamente as instituições em que tomas parte, com o intuito de aprimorá-las? Ou te calas, dizendo: “esperemos, ainda não chegou a hora”? Participas de movimentos sociais, de organizações não-governamentais? Lutas contra os privilégios das minorias? Tens atuação política, de alto nível, educativa e transformadora?

Onde estão os líderes espíritas, neste mundo que pede mudanças? Onde estão os cidadãos espíritas, que sabem que a evolução se processa aqui, no plano material? Calam-se, omissos...

Ah, Caneca, quanto do teu espírito idealista ainda precisamos...